Nova Plataforma de Cobrança

Desde a intensificação de inconformidades e fraudes no mercado de cobrança, a Febraban – Federação Brasileira de Bancos, juntamente a rede bancária, criou o projeto Nova Plataforma de Cobrança (NPC).  O objetivo deste projeto é tornar a cobrança de boletos um produto mais seguro e ágil. O sistema de pagamentos e compensação de boletos ainda não havia passado por um processo de modernização desde quando os boletos de pagamentos foram criados, em 1993.

Esse projeto, que é desenvolvido e suportado pela CIP – Câmara Interbancária de Pagamentos, foi iniciado em 2015 e foi dividido em duas fases:

Centralização de beneficiários

Esta fase foi implantada ainda em 2015 e consistiu no registro de todos os beneficiários, (pessoa a quem se destina o pagamento do boleto) em uma base centralizada de beneficiários. Essa base é atualizada e consultada por todos os bancos do mercado. Isso garante que um banco ao identificar uma fraude (emissão de um boleto falso, por exemplo) possa “marcar” esse beneficiário como “inapto” na base centralizada. Desta forma, todos os demais bancos do mercado receberão essa informação e poderão evitar que novas operações sejam realizadas com esse beneficiário prejudicial.

Centralização de boletos

Planejada para ter a implantação iniciada em 2017, essa fase prevê que, assim como foi feito com os beneficiários, todos os boletos sejam registrados e consultados em uma base centralizada de boletos. Esta base centralizada será também atualizada pelas instituições financeiras que emitirem boletos e consultada pelas instituições que receberem liquidações de boletos. Isso é algo inovador neste projeto, pois permitirá que uma instituição que não seja um banco possa também emitir boletos de cobrança própria, tal como os bancos realizam atualmente necessitando, para tanto, que a mesma realize o registro dos boletos na base centralizada. Isso fomenta o mercado, uma vez que diminui o custo da operação e cria maior autonomia para as instituições, que deixam de ser dependentes dos bancos para emissão de seus boletos.

O projeto NPC traz ainda como vantagem o fato de desincentivar a emissão de boletos sem registro. Nessa modalidade de cobrança existente no mercado, o próprio cliente emite o boleto e o repassa ao sacado que, por sua vez, realiza o pagamento direto na rede bancária, sem que tenha sido feito o registro desse boleto em algum banco. A partir desse projeto, para que um boleto possa ser pago em qualquer instituição financeira é necessário que o mesmo esteja registrado na base centralizada de boletos. Logo, a tendência é que o mercado evite a emissão de boletos sem registro, com o objetivo de usufruir da possibilidade de pagamento em qualquer instituição recebedora, o que é de grande valia para os pagadores e clientes beneficiários. O desincentivo da utilização de boletos sem registros torna o produto de cobrança mais seguro à medida que evitará o envio de boletos não autorizados aos pagadores, diminuindo o risco de fraudes. Um exemplo desse tipo de fraude é o que vimos recentemente na mídia, em que se alterava os dados do boleto a fim de que o crédito fosse realizado na conta de um estelionatário, ao invés de ir para a conta do real beneficiário.

Um outro fato extremamente vantajoso do projeto NPC é que o boleto, mesmo que vencido, poderá ser pago em qualquer canal de pagamento (caixa, internet banking, ATM, mobile e etc.) de qualquer banco ou correspondente bancário, não mais somente no banco emissor do boleto. Isso será possível porque todos os boletos estarão registrados na base centralizada e qualquer instituição poderá consultá-lo no momento de receber a sua liquidação. Assim, ainda que vencido, bastará que o canal recebedor consulte o boleto na base centralizada e receba os dados atualizados de outro banco, evitando ainda o risco de erro no cálculo já que, atualmente, em muitos casos o funcionário do banco recebedor precisa realizar o cálculo para encontrar o valor do boleto atualizado com seus encargos. Essa característica aumenta a agilidade nos pagamentos dos boletos, traz maior comodidade aos pagadores e melhora a segurança do mercado de boletos de cobrança.

Visando a estabilidade do produto, a implantação da segunda fase do projeto NPC irá ocorrer em subfases, denominadas “ondas”, conforme o valor do boleto. O planejamento inicial é que até dezembro de 2017 todos os boletos estejam registrados na base centralizada.

Como podemos observar, o projeto NPC traz maior comodidade, controle e segurança aos usuários do mercado de cobrança de boletos, que atualmente movimenta cerca de 3,7 milhões de boletos, conforme informações divulgadas pela Febraban. O parecer do Banco Central do Brasil, responsável por fiscalizar e regular as instituições bancárias no Brasil, é que essa modernização irá aumentar a demanda pelo serviço de cobrança no mercado brasileiro, que hoje já possui um volume considerável de operações.

 

Por Flávia Meny Figueiredo, Supervisora de Operações.

2017-02-09T14:12:07-02:00janeiro 2017|Tags: , , , , |